• Paraíso17

A primeira vez que naqueei

*Everton Queiroz Alves
01/06/2017 09h00

Teve um dia me deram um tal de Copenhagen e comecei a mascá aquele trem. era docinho, sabe?! Mas o bravo da gente aguentá é a tal da cuspideira – mais vira uma cuspição parecendo lhama. Dizem que aquilo é bom para os dente: nem cari tem paciência de mascá um trem daquele. Aí comecei a mascá aquele trem, cuspia demais da conta, parecendo um bicho. Com isso, ficava com medo de chegá em casa. Então, eu parava de mascá mais cedo para que minha véia não desconfiasse.

 

 Mas você sabe que um dia a gente esquece das coisa. E aconteceu de um dia eu esquecê e cheguei lá em casa com o pedregulho na boca. A minha mãe, que não é boba, nem nada, já chegô e perguntô:

 

- O que é isso aí na sua boca?

 

 - Uai, mãe, é chiclete!

 

- Chiclete nesse lugar aí da boca? Pra mim, a gente mascava chiclete é dentro da boca não é em frente dos dente não! Você tá mamando esse trem! Você toma vergonha! Isso é balinha, por acaso?

 

- Não, mãe!

 

- Pois me dá um pedacinho desse seu chiclete.

 

-Mãe, esse chiclete é muito forte. Sabe, a senhora não vai gostar!

 

- Deixa eu ver!

 

Aí nessa hora, ela já desconfiô, sentiu o fedozão e, nesse momento, eu já estava enchendo a boca de baba porque aquele trem vai dando uma vontade de cuspi danada. Continuei a prosear mais minha mãe e aquele trem foi indo, foi indo e eu fui enchendo a boca d’água. Quando pensa que não, eu não aguentei, tive que cuspi na frente dela. E, não deu outra, ela esbravejou:

 

- Desgramado, você tá comendo bosta de cachorro, diabo? O que é isso aí na sua boca, inferno?

 

E eu tentando explicar pra ela e ela não entendia. A boca enchendo d’água de novo e essa mãe minha ficava brava de um tanto que nem sei como escapei vivo.

 

Na hora que eu armei o beiço pra cuspi de novo, ela olhou na minha cara. Na mesma hora que ela olhou, eu vi a mão dela vindo de lá pra cá. Essa minha mãe soltou a mão na minha venta que aquele peloto voou tão longe, misturado com mais 2 dentes meu, que eu  não sei onde foi pará até hoje.

 

Minha véia soltou a mão na minha cara. Na hora que ela acabou de um lado, voltou do outro e repetiu o movimento com medo de ter errado um. Daí, eu falei:

 

- Ôh, mãe, a senhora me perdoa?

 

- Te perdoou é a mão na cara, seu moleque.

 

Já veio mais um tapa:

 

- Esse aqui é pra você exemplar!

 

Soltou outro:

 

- Esse aqui é para você não fazer de novo.

 

Desse dia pra cá, eu larguei a mão de ser peão, deixei de ser cowboy e esse negócio de fumo na boca nunca mais eu coloquei. Mas inclusive eu aconselho as mães desses moleque que fica com essas bosta de cachorro na boca a fazer o mesmo. Quem sabe para de colocar esse trem na boca.

 

*Estudante do curso de Agropecuária do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Mato Grosso do Sul (IFMS), campus: Nova Andradina. A partir dai mesmo vivenciando isso, não parei de mascar fumo.






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