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''Samba no pé não tem idade'', diz musa de 57 anos da Vila Isabel

Paula Bergamin, que começou a desfilar aos 52 anos, conversou com o G1 sobre a importância de aceitar e amar o próprio corpo. Musa diz que dançar e sorrir é a melhor forma de combater os olhares de estranhamento
G1 / Imagens: Arquivo Pessoal/ Leo Cordeiro
06/02/2019 15h45
Paula Bergamin é musa da Unidos de Vila Isabel aos 57 anos / Imagens: Arquivo Pessoal/ Leo Cordeiro

'O samba no pé não tem idade': é o que defende a paisagista Paula Bergamin que, aos 57 anos, exibe leveza e elegância como musa da Unidos de Vila Isabel. As incontáveis horas de ensaios em cima do salto alto são recompensadas pelo prazer em sambar.

 

"Me esforço na avenida porque amo o que faço, sambo por paixão e não por exibicionismo - isso não me move. Além disso, a dança é algo que trata o corpo, o emocional, é uma atividade muito agregadora, você faz muita amizades. Faz bem porque desperta uma confiança sobre o próprio corpo".

 

Paula afirma também que mesmo tendo uma rotina disciplinada, não é viciada em dietas e nem acredita que a felicidade está ligada ao corpo perfeito, mas sim à aceitação e ao amor próprio.

 

"A perfeição é chata, é uma busca interminável. Se sentir bonita e sensual não tem a ver com o corpo e, sim, com ser confiante, alegre, as mulheres precisam encontrar algo que motive verdadeiramente, como eu encontrei o samba, temos que ser a nossa melhor versão", justifica a musa.

 

Questionada pelo "G1" sobre os desafios da idade e por padrões estéticos impostos socialmente, a gaúcha garante que a melhor forma de encarar essas situações é com muito samba no pé e sorriso no rosto.

 

"Na primeira vez que desfilei, quebrei vários tabus. Como sou fora do padrão, não sou grandona, musculosa, sempre tem quem olhe de cara feia: 'o que essa velha tá fazendo aí?'. Encaro com naturalidade. Se eu estivesse do outro lado, talvez olhasse assim também. Então sambo, não é perfeito, mas acho que surpreendo e vejo as pessoas mudarem o semblante. Isso me dá uma imensa satisfação pessoal. O que antes era desconfiança, vira um sorriso de reconhecimento", comemora.

 

Na Vila há poucos meses, ela elogiou a recepção que teve na agremiação: "É a escola onde mais bem me entrosei". Mas afirmou que carnaval demanda muito mais que gostar de samba. É necessário dedicação à preparação física, tempo para ensaios e uma alimentação regrada.

 

"Não é fácil. Tem que ter fôlego para aguentar as horas de ensaios, saio muito cansada e é exaustivo usar salto. Carnaval é coisa séria, é uma competição e, apesar de me divertir, quero fazer bem feito, me dedico e quero estar presente para a escola, treino com passistas, faço exercícios de segunda a sábado. É toda uma função."

 

Amor antigo

Paula desfilou pela primeira vez aos 52 anos de idade e entrou no carnaval carioca pelo Império Serrano. O convite para integrar o time de musas da Vila Isabel veio em meados de 2018. No entanto, o amor pela folia da Sapucaí vem desde a adolescência no Rio Grande do Sul, quando assistia pela televisão a transmissão dos desfiles no Rio de Janeiro.

 

"Lá no Sul o carnaval era de bloco, bailes e meus pais adoravam carnaval. Eu tinha esse sonho, mas não tinha nenhum contato. Depois, conheci meu marido e casamos quando eu tinha 20 anos, minha família era muito caretona na época. Como ele morava aqui, vim para o Rio. Mas aula de dança mesmo comecei a fazer por volta dos 50 e aí a vontade de desfilar voltou com força".

 

Como inspiração, a musa contou que sempre admirou a cantora Rosemary, que foi uma das primeiras celebridades a desfilar como destaque no chão de uma escola no carnaval carioca. "Eu achava ela um máximo toda de rosa, muito charmosa", relembra.






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